Espanhóis
pessoas nativas da Espanha ou que possuam cidadania espanhola Da Wikipédia, a enciclopédia livre
Os espanhóis são um povo e grupo étnico nativo da Espanha, um país localizado na Península Ibérica, entre a Europa Ocidental e Meridional. Devido à complexa história e formação do Estado espanhol, dentro do povo espanhol há subdivisões, como os andaluzes, castelhanos, estremenhos, valencianos, catalães, galegos, bascos e canarinos.
O povo espanhol tem várias origens étnicas, devido à longa história de invasões e migrações.
Os romanos começaram a conquista da Península Ibérica, a que denominavam Hispânia, no final do século III a.C. e esse processo prosseguiu até o século I a.C. Como resultado da romanização da Ibéria, todas as línguas faladas na península atualmente, como o castelhano (espanhol), português, galego, catalão e asturo-leonês, com exceção do basco, que é uma língua isolada, são baseadas no latim vulgar ibérico. No século V, a Hispânia foi tomada pelos germânicos visigodos e suevos.
Em 711, os mouros, que consistiam de árabes e berberes vindos do Norte da África, invadiram a Península Ibérica, cuja área sob domínio muçulmano era denominada, em árabe, como Al-Andalus. Anos após a invasão muçulmana, a partir das Astúrias, os cristãos ibéricos iniciaram a retomada das terras dos mouros, no que ficou conhecido como “Reconquista”, processo em que surgiram reinos cristãos como Leão, Castela, Aragão, Navarra e Portugal. A conquista das Canárias ao longo do século XV marcou o início da diáspora espanhola.
No final do século XV, a união dinástica dos Reis Católicos foi o marco inicial da Espanha como estado unificado. A reconquista terminou para os espanhóis em 1492, ano em que Cristóvão Colombo chegou à América, marcando o início do Império Espanhol, uma das maiores potências mundiais nos séculos XVI e XVII, que deixou como legado centenas de milhões de hispanófonos pelo mundo, concentrados na América Hispânica.
Além disso, vivem na Espanha 4 982 183 estrangeiros (em 31 de Dezembro de 2015), que são provenientes principalmente da Romênia, Marrocos, Reino Unido, Itália e China. Juntas, essas cinco nacionalidades representam 50% da população imigrante na Espanha.[17]
Origem, genética e formação
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Perspectiva
Estudos genéticos, autónomos e de marcadores de haplogrupos, mostram claramente que os espanhóis estão intimamente relacionados com o resto da Europa, e em particular com as populações da costa atlântica: França, Grã-Bretanha, Irlanda, e seu vizinho ibérico, Portugal.[18]
Pré-história e período pré-romano
Os primeiros humanos anatomicamente modernos chegaram à Europa, vindos da Anatólia, há cerca de 45 mil anos, alcançando a Península Ibérica alguns milênios depois. Esses pioneiros encontraram e se miscigenaram com os neandertais, de modo que os europeus modernos possuem em torno de 2% do seu genoma de origem neandertal.[19][20]
Com o início do Último Máximo Glacial, há cerca de 30 mil anos, a Península Ibérica foi um dos refúgios para os caçadores-coletores europeus, com grande parte do continente coberta por gelo. Durante essa glaciação, os caçadores-coletores gravetianos de pele e olhos escuros foram substituídos por caçadores-coletores de pele escura, olhos claros e um toque de ancestralidade do Oriente Próximo.[21][22][23]
Por volta de sete mil anos atrás, agricultores vindos da Anatólia migraram para a Península Ibérica, se miscigenaram com os caçadores-coletores locais e introduziram a agricultura e a pele branca na região. A ancestralidade desses fazendeiros é o principal componente genético no sul da Europa.[19][24][25] Com a agricultura, começaram a se formar povoados, alguns dos quais gradualmente evoluíram, dando origem, no terceiro milênio antes de Cristo, a protocidades, como Los Millares e El Argar.[26]
Por volta de 2.500 a 2.000 a.C., pastores proto-indo-europeus do Leste Europeu, pertencentes à Cultura da cerâmica cordada, invadiram a Península Ibérica e se miscigenaram com os locais. Quase todos os haplogrupos de cromossomo Y existentes nessa península sul-europeia até então foram substituídos pelo haplogrupo R1b, vindo desses pastores e hoje majoritário entre os homens ibéricos.[24][27]
Na primeira metade do primeiro milênio antes de Cristo, os povos celtas, oriundos da Europa Central, ocuparam o norte e noroeste da Península Ibérica e a Meseta Espanhola, misturando-se com os locais. A partir desse ponto, o pool genético dos bascos já está formado, praticamente não recebendo influências a partir de então.[24] Nessa mesma época, marinheiros fenícios, gregos e cartagineses fundaram colônias na costa mediterrânea espanhola e mantiveram comércio com os locais e surgia a primeira civilização ibérica, a tartésica.[26]

A Península Ibérica era habitada por diversos povos quando da chegada dos romanos. No norte, noroeste e oeste da península e Meseta Central, habitavam populações celtas e proto-celtas, como os celtiberos, ástures, cântabros, galaicos, lusitanos e túrdulos. O sul era habitado pelos cônios e turdetanos. O litoral mediterrâneo era habitado pelos diversos povos iberos, enquanto a região de Navarra e adjacências era habitada pelos vascões, provavelmente relacionados aos bascos modernos.
Domínio romano e invasões germânicas
Em 218 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica, a República Romana iniciou a conquista da Península Ibérica, a que os romanos denominariam “Hispânia”, a qual perdurou até o final do século I a.C., já no início do Império Romano. Gradualmente, os romanos impuseram sua língua e costume sobre os povos ibéricos e as populações abandonaram seu modo de vida tradicional. É sabido que do latim, a língua dos romanos, se baseia as línguas ibéricas, com exceção do basco, como o castelhano, português, galego e catalão.[26][28][29]
Durante o período romano, chegaram aos atuais Portugal e Espanha os judeus, vindos da região de Canaã, formando a comunidade conhecida como sefarditas, os judeus ibéricos, os quais formariam uma das maiores e mais prósperas comunidades judaicas durante o período do Emirado e Califado de Córdoba. Os sefarditas deixaram algum legado genético nos portugueses e espanhóis modernos.[30]
No século V, com as fronteiras do Império Romano do Ocidente fragilizadas, a Península Ibérica foi invadida pelos alanos, vândalos, suevos e visigodos (os primeiros, de origem irânica e os três últimos sendo povos germânicos), dos quais apenas os visigodos e suevos permaneceram na Península, ali fundando seus reinos. Os germânicos aparentam ter deixado um legado genético muito fraco nos ibéricos, dado o pequeno número de invasores em relação à população da época.[30][26]
Domínio muçulmano, a Reconquista e a formação do Estado espanhol
Em 711, aproveitando-se das disputas internas no Reino Visigodo, árabes e berberes vindos do Norte da África, apelidados pelos cristãos de “mouros”, invadiram a Península Ibérica, a qual denominavam “Al-Andalus”, a conquistando rapidamente. Durante séculos, os muçulmanos toleraram a fé de cristãos e judeus em Al-Andalus, mediante pagamento de um imposto especial, sendo os cristãos sob domínio mouro denominados “moçárabes”.[26][31][32][33]
A única região da Ibéria que os muçulmanos não ocuparam foram as Astúrias, onde os visigodos se refugiaram e iniciaram ali, em 718, a Reconquista, o processo de retomada das terras muçulmanas pelos cristãos. Nesse processo, surgiram os reinos de Astúrias, Leão, Castela, Navarra, Aragão e Portugal.[32]
A ancestralidade norte-africana está presente em grande parte da Península Ibérica, variando de 0 a 11%, sendo mais alta no sul e oeste ibéricos e praticamente ausente no País Basco e nordeste da península. Como resultado da Reconquista, houve uma maior convergência genética entre o norte e o sul da Península.[24][34]
Os espanhóis conquistaram as Ilhas Canárias ao longo do século XV. Sua população indígena de origem berbere, os guanches, foi gradualmente absorvida por meio de casamentos com colonos espanhóis, assim formando o povo canarino, cujo genoma é predominantemente europeu.[35][36]
O casamento dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando II de Aragão, em 1469, é considerado, por muitos, com o nascimento do Estado espanhol, a partir da união das coroas, enquanto outros consideram que a Espanha moderna nasceu em 1492, com a conquista de Granada e a chegada de Cristóvão Colombo à América.[37]
Depois que a Reconquista terminou com a captura de Granada em 1492, os judeus e muçulmanos que recusaram a conversão ao catolicismo foram expulsos da Espanha. Os convertidos muçulmanos, chamados mouriscos, também foram expulsos em 1609: cerca de 300 mil de um total de 325 mil.[38][39]
Grupos Étnicos
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Perspectiva
Dentro da Espanha, há as chamadas nacionalidades históricas, isto é, comunidades autônomas com características culturais próprias, diferentes do restante do país, que são: Andaluzia, Catalunha, Comunidade Valenciana, País Basco, Galiza, Baleares e Canárias.[40][41]
Imigração
A população da Espanha está se tornando cada vez mais diversificada, devido à imigração recente. Espanha é agora um dos países com as mais altas taxas de imigração per capita no mundo e o segundo mais alto na migração absoluta no mundo (depois dos EUA)[42] e imigrantes representam agora cerca de 10% da população. Desde 2000, a Espanha absorveu mais de 3 milhões de imigrantes, e milhares a mais chegam a cada ano.[43] A população imigrante em 2006 ultrapassou quatro milhões e meio.[44] São provenientes principalmente da Europa, América Latina, China, Filipinas, Norte de África e África Ocidental.[45]
Ciganos
Os ciganos, exônimo dado em português a um povo que se autodenomina "roma" ou "romani", são um grupo étnico nativo da Índia que, durante a Idade Média, migraram para o Oriente Médio e Europa. Alcançaram a Península Ibérica no século XV e a comunidade cigana dessa região é conhecida como caló.
Os ciganos espanhóis, por uma série de razões históricas e culturais não são considerados estrangeiros, mas de etnia diferente, e desempenham um papel importante no folclore andaluz, em especial na música e cultura. Não há estatísticas oficiais sobre a população cigana na Espanha, mas estimativas não oficiais a colocam entre 600 mil e 700 mil indivíduos, fazendo do país ibérico possuir uma das maiores comunidades ciganas da Europa, junto com a Romênia e Bulgária. Mais de 40% dos ciganos espanhóis vivem na região da Andaluzia e muitos também vivem no sul da França, especialmente na região de Perpignan.
Diáspora espanhola
A diáspora espanhola, isto é, a dispersão dos espanhóis pelo mundo, se iniciou no século XV, com a conquista das Canárias. Os aborígenes canários, de origem berbere, foram absorvidos aos colonos espanhóis que se fixaram no arquipélago, assim formando o povo canarino.[46][47]
Durante a colonização espanhola da América, centenas de milhares de colonos espanhóis, oriundos de toda a Espanha continental, especialmente da Andaluzia, Extremadura e Castela, migraram para as colônias na América Hispânica e, em menor medida, para as Filipinas. A presença de canarinos nas colônias espanholas foi fraca, com exceção das Antilhas Espanholas e da Venezuela, onde estavam bem presentes.[48][49]
Segundo estimativas, 240 mil espanhóis emigraram para as Américas no século XVI, aos quais se juntaram 450 mil que emigraram no século seguinte.[50]
Entre o final do século XIX e início do século XX, houve uma grande corrente imigratória da Espanha para países ibero-americanos, tendo como destinos preponderantes Argentina, Cuba e Brasil.[51]
Idiomas

O idioma proeminente na Espanha é o castelhano, também chamado e mais conhecido como espanhol, falado por quase toda a população do país. Outros idiomas têm importância maior em algumas regiões: o basco (euskera ou euskara) no País Basco e em Navarra; catalão na Catalunha e nas Ilhas Baleares e em diassistema, como variante deste primeiro, o valenciano, na Comunidade Valenciana; e por fim o galego na Galiza (em diassistema com o português em ambas as margens do rio Minho).
A ditadura de Francisco Franco proibiu todos os idiomas que não o espanhol. Como consequência da transição democrática na Espanha, em 1978, o catalão, galego e basco adquiriram o status de idiomas cooficiais nas suas respectivas regiões, tendo grande relevância local, inclusive possuindo diversas publicações como jornais diários nestes idiomas, e uma significante produção e publicação de livros e indústria midiática.
Notas
- Incluindo cidadãos espanhóis de jure não nascidos na Espanha
- somando-se ateus, agnósticos e "não crentes"
Ver também
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