Facções do Partido Nacionalista da China

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Facções do Partido Nacionalista da China

As Facções do Partido Nacionalista da China ou Kuomintang, e ainda, Guomindang, são diferentes grupos políticos de simpatizantes, apoiadores ou membros do Partido Nacionalista da China (Kuomintang, KMT) que possuem crenças e visões politicas diferentes sobre a ideologia do partido, o Tridemismo.[1][2][3] Após a morte do fundador do Partido Nacionalista da China (Kuomintang), Sun Yat-sen, em Março de 1925, a visão sobre o tridemismo e o partido acabaram por se dividir em diferentes facções politicas e ideológicas:

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Simbolo do Partido Nacionalista, Céu azul com sol branco.

Dentre as principais, a facção de esquerda, liderada principalmente por Wang Jingwei, Lin Sen, Li Jishen e Soong Ching-ling, reivindicava ser a sucessora do legado de Sun Yat-sen e do Tongmenghui,[4] por outro lado, a facção de direita liderada por Chiang Kai-shek, Li Zongren e Bai Chongxi, controlava de fato o partido desde 1926, seus pontos e objetivos eram:

  • Facção Esquerda (Kuomintang de Esquerda)
  • Facção Direita
    • Criar um estado autoritário e centralizado;[12]
    • Detinha o apoio da pequena burguesia chinesa, concentrada principalmente em Xangai e Guangzhou;[10]
    • Tinha como meta combater o Comunismo e toda forma de Socialismo, o que incluía deter e expurgar o Partido Comunista;[13]
    • Ainda se defendia o anti-imperialismo, o que atrasou a criação de relações diplomáticas com o ocidente;

Depois da proclamação da República Popular da China, em Outubro de 1949, a facção de esquerda do Partido Nacionalista migrou para o Partido Comunista, como Soong Ching-ling (esposa de Yat-sen) fez ou criaram seu próprio Partido Nacionalista na China continental, o Comitê Revolucionário do Partido Kuomintang da China, fundado por Li Jishen em 1948, sendo um dos partidos legalizados na China continental. Por outro lado, a facção direita do Partido Nacionalista, liderada ainda por Chiang Kai-Shek, buscou desvincular-se do socialismo originalmente promovido pelo partido e migrou o governo da República da China para a ilha de Taiwan entre 1949 e 1950.

História

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Perspectiva
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Sun Yat-sen em 1912, formalizou o Kuomintang como um partido, após ser empossado como presidente da China (imagem).

O Partido Nacionalista da China, chamado por Kuomintang (KMT) ou Guomindang (GMD), foi o sucessor da organização revolucionária Tongmenghui, fundada em 1905 a partir de uma fusão de outras sociedades, por Sun Yat-sen. Este partido foi crucial para a fundação da República da China em 1912 e a Revolução Xinhai em 1911, evento antecedente que destronou o imperador Pu Yi. O Partido Nacionalista havia sido fundado em 1912 como um partido de carácter revolucionário, socialista (Ideologia Socialista do Kuomintang) e republicano.[5] Apesar disso, o partido não era de extrema-esquerda e não tinha o pensamento marxista como base central, bem como muitos de seus simpatizantes e apoiadores iniciais eram camponeses, trabalhadores, universitários ou comerciantes de classe baixa, religiosos ou socialmente conservadores.[14][11]

Ideologia do Kuomintang

O pensamento tridemista, ou Três Princípios do Povo, são compostos pelos princípios de Nacionalismo, Democracia e Bem-estar Social, atribuído este ultimo como do espectro socialista, isto é, uma ideia que pertence ou está relacionado ao campo do socialismo.

Relação com o estrangeiro

Estes posicionamentos garantiram o apoio de algumas entidades de esquerda, como a União Soviética e partidos de cunho comunista, tal como o Partido Comunista da Grã-Bretanha.[15] O Partido Nacionalista era anti-imperialista, e apontava o ocidente, em especial a Europa, como causa dos problemas incluídos no contexto do Século da humilhação: Por tal comportamento e posição politica, o partido era criticado ou visto como uma ameaça em cidades estrangeiras na China, como as concessões internacionais próximas a Xangai, o que levou a alguns conflitos com a Grã-Bretanha e a França na região sul da China.[15]

Relação com o Partido Comunista da China

Quando o Partido Comunista da China foi fundado em 1921, seu núcleo de membros era majoritariamente formado por simpatizantes de Sun Yat-sen, como Mao Zedong e Zhou Enlai.[4] Em 1924, durante o 1º Congresso Nacional do Kuomintang, o Partido Comunista, até então integrado ao Partido Nacionalista, se comprometeu em se aliar militarmente com os nacionalistas, dando inicio a Primeira Frente Unida.[16]

Morte de Sun Yat-sen (1925)

Em Março de 1925, o secretário-geral do Partido Nacionalista, Sun Yat-sen, morreu, deixando um vacuo de poder ocupado brevemente por Hu Hanmin. Durante o 2º Congresso Nacional do Kuomintang, nas 4ª e 5ª sessões, o general Chiang Kai-shek assumiu o poder do partido e virou o novo secretário-geral.[17]

Inicio da Divisão (1927)

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Bandeira, alegada, a ser usada pela facção esquerda do Partido.

Durante os primeiros anos de poder, de 1926 e 1927, Chiang Kai-Shek governou o partido e unificou a China junto do Partido Comunista sem muitas dificuldades. Todavia, Chiang Kai-Shek passou a abandonar a ideologia socialista e buscou um estilo ocidental de autoritarismo, que foi criticado por Wang Jingwei e Lin Sen;[carece de fontes?] Em Abril de 1927, ocorre o episódio do Massacre de Xangai e vários membros do Partido Comunista foram executados a mando de Kai-Shek.[18] Após o massacre, o Partido Nacionalista condenou a ação e Chiang Kai-Shek foi pressionado a renunciar como presidente da China. De ínicio, Chiang Kai-Shek negou e Wang Jingwei criou, em resposta, um governo paralelo em Wuhan que foi dissolvido pelo Exército Revolucionário e Chiang renunciou a presidencia, mas manteve-se como líder do partido ainda.[2]

Por outro lado, o massacre também gerou outra tensão, o Partido Comunista em Agosto de 1927 deixou de corresponder ao Partido Nacionalista e pequenos conflitos, inicialmente de pequena escala, começaram a acontecer. Este é o inicio da Guerra Civil Chinesa, que fez com que os membros de esquerda do Partido Nacionalista, por serem contra Chiang Kai-Shek ou discordarem do novo posicionamento do partido, se mudarem para o Partido Comunista. Wang Jingwei continuou dentro do partido até 1939 se moveu para o Kuomintang (Wang Jingwei), um novo partido paralelo, que controlava os governos colaboracionistas do Império do Japão.[19][20]

Aprofundamento da Divisão (1948)

Depois da Segunda Guerra Mundial e a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Guerra Civil Chinesa havia se iniciado novamente em 1946, pois o Partido Comunista e o Nacionalista não haviam conseguido chegar em uma conclusão de como controlariam o governo da China em conjunto, além de que, o poder do partido continuava a ser concentrado nas mãos da facção direita, liderada ainda por Chiang Kai-Shek. Em 1948, Li Jishen funda o Comitê Revolucionário do Partido Kuomintang da China, chamado comumente de "Kuomintang de Esquerda", que foi reconhecido e legalizado pelo Partido Comunista da China, com ele participando dos congressos e atividades do governo e até tendo membros que assumiram cargos relevantes dentro da República Popular da China. Por outro lado, o Partido Nacionalista, agora controlado quase que totalmente pela facção direita, se moveu para Taiwan, realocando o governo da República da China para a ilha e construindo um novo governo por lá.[21]

Morte de Chiang Kai-Shek (1975)

A Facção de Extrema-Direita se converteu em uma Centro-Direita após a morte de Chiang Kai-Shek em 1975. Seu filho, Chiang Ching-kuo, revogou a lei marcial em Taiwan, vigente desde os anos 1940 e deu inicio a um processo de democratização junto de Lee Teng-hui.

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Ma Ying-Jeou e Xi Jinping se encontraram em 2015 na China Continental. (imagem)

Transição Ideológica do Partido (1990)

A Partir do final dos anos de 1990, o Partido Nacionalista passou a fazer pequenas interações com o Partido Comunista. Estas relações, mesmo que pequenas, começaram a aos poucos a reconciliar, ideologicamente, os partidos e a facção de esquerda passou a crescer gradualmente dentro do partido, buscando solucionar a questão de Taiwan e abordar, quando eleito, um governo alternativo do partido rival, o Partido Democrático Progressista. Um dos notáveis lideres nacionalistas que faz parte da facção esquerda e conseguiu alcançar o poder do partido e do país é o ex-presidente Ma Ying-jeou, que chegou a visitar o Mausoléu de Sun Yat-sen e teve encontros com o líder chinês Xi Jinping.[22]

Atualmente o partido continua levemente dividido, principalmente devida a existência do Comitê Revolucionário do Partido Kuomintang da China.[carece de fontes?]

Diferenças Ideológicas

Referências

  1. Meng-Pu, Wei (1940). «The Kuomintang in China: Its Fabric and Future». Pacific Affairs (1): 30–44. ISSN 0030-851X. doi:10.2307/2750769. Consultado em 22 de outubro de 2024
  2. Wu, Tien-wei (1969). «A Review of the Wuhan Debacle: The Kuomintang-Communist Split of 1927». The Journal of Asian Studies (1): 125–143. ISSN 0021-9118. doi:10.2307/2942527. Consultado em 22 de outubro de 2024
  3. Isaacs, Harold (1 de maio de 2010). The Tragedy of the Chinese Revolution (em inglês). [S.l.]: Haymarket Books
  4. «Parte I - O Princípio do Nacionalismo». www.marxists.org. Consultado em 22 de outubro de 2024
  5. Parks, Coble (1980). The Shanghai Capitalists and the Nationalist Government, 1927–1937. [S.l.]: Harvard University Asia Center Publications Program line feed character character in |título= at position 58 (ajuda)
  6. 朱, 少璋 (1 de setembro de 2001). «《中國現代詩歌史》». 人文中國學報: 295–298. ISSN 1562-2754. doi:10.24112/sinohumanitas.82377. Consultado em 23 de outubro de 2024
  7. Zhang, Chuntian. «革命與抒情 : 南社的文化政治與中國現代性 (1903-1923)». Consultado em 23 de outubro de 2024
  8. Minns, John; Tierney, Robert (2003). «The Labour Movement in Taiwan». Labour History (em inglês) (85). 103 páginas. doi:10.2307/27515930. Consultado em 23 de outubro de 2024
  9. Van De Ven, Hans (1 de janeiro de 2000). «New States of War: Communist and Nationalist Warfare and State Building (1928-1934)». BRILL: 321–397. ISBN 978-90-04-48294-4. Consultado em 22 de outubro de 2024
  10. «SpymasterDai Li and the Chinese Secret Service | California Scholarship Online | Oxford Academic». web.archive.org. 18 de julho de 2023. Consultado em 22 de outubro de 2024
  11. Rothacher, Albrecht (23 de dezembro de 2008). «Jonathan Fenby. Generalissimo Chiang Kai Shek and the China he lost». Asia Europe Journal (2): 377–384. ISSN 1610-2932. doi:10.1007/s10308-008-0222-y. Consultado em 23 de outubro de 2024
  12. «Kuomintang News Network». web.archive.org. 9 de julho de 2014. Consultado em 23 de outubro de 2024
  13. Ching-yao, Yin (1981). «The Bitter Struggle between the KMT and the CCP». Asian Survey (6): 622–631. ISSN 0004-4687. doi:10.2307/2643790. Consultado em 23 de outubro de 2024
  14. «汪伪国民政府始末(五) - 伪政权 - 抗日战争纪念网». www.krzzjn.com. Consultado em 23 de outubro de 2024
  15. «樂詞網». terms.naer.edu.tw (em chinês). Consultado em 23 de outubro de 2024
  16. «��j��ŤơE�˪k�j½��». web.archive.org. 17 de julho de 2011. Consultado em 23 de outubro de 2024 replacement character character in |titulo= at position 1 (ajuda)
  17. «Taipei Times - archives». web.archive.org. 14 de janeiro de 2004. Consultado em 23 de outubro de 2024
  18. Choquette, Éléna (junho de 2013). «Markets in the Name of Socialism: The Left-Wing Origins of Neoliberalism, Johanna Bockman, Stanford CA: Stanford University Press, 2011, pp. 332.». Canadian Journal of Political Science/Revue canadienne de science politique (em inglês) (2): 483–485. ISSN 0008-4239. doi:10.1017/S0008423913000401. Consultado em 23 de outubro de 2024
  19. «Sobre a Democracia Nova». www.marxists.org. Consultado em 23 de outubro de 2024
  20. Vickers, Edward (2010). «Histoire, identité et politique des musées à Taiwan. Réflexions sur la transition du DPP au KMT». Perspectives chinoises (3): 99–115. ISSN 1021-9013. doi:10.3406/perch.2010.4010. Consultado em 22 de outubro de 2024
  21. «汪伪国民政府始末(五) - 伪政权 - 抗日战争纪念网». www.krzzjn.com. Consultado em 22 de outubro de 2024
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