Família Safra

Família de origens síria Da Wikipédia, a enciclopédia livre

Os Safra são uma proeminente família de ascendência judaico-libanesa com origem mais remotas na Síria. Ela está fortemente associada ao setor bancário, mais especificamente ao Banco Safra.[1][2][3][4][5] Os principais membros do clã são oriundos do banqueiro Jacob Safra, responsável pela imigração e estabelecimento da família no Brasil.[6] Em seu primeiro casamento, com Esther Teira,[7] Jacob teve nove filhos. Da segunda união, com Marie Dwek,[8] não houve descendentes.[9][10][11] Em 2023, os Safra tornaram-se a família mais rica do Brasil e a centésima mais rica do mundo.[12]

Os Safra são conhecidos por sua discrição, e mantém seus registros em árabe antigo, língua conhecida apenas por parte da comunidade sefardita, no Oriente Médio.[13]

História

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Império Otomano e Líbano

A família Safra enriqueceu durante o século XIX quando em 1800, em Alepo a família atuava trocando dinheiro vindo da África, Ásia e Europa. Depois, em 1840, a família cria o banco Safra Frères et Cie. passa a financiar caravanas de camelo de comerciantes que atuavam no Oriente Médio. O banco fez tanto sucesso que eles passaram a operar em Alexandria e Istambul.[13][14][15][16] Em 1914, a pedido de seu tio, Erza, Jacob Safra fundou uma filial do banco em Beirute, no Líbano.[13] A família se tornou muito proeminente na região, mas com a queda do Império Otomano, o comércio em Alepo caiu drasticamente, e a família se mudou para Beirute. Em 1929, Jacob rompeu com sua família e criou o Banco Jacob E. Safra. O banco se tornou o mais usado entre os comerciantes sefarditas, que negociavam na área que se estende da Síria ao Iraque. Seu sucesso se deu principalmente por usar o árabe antigo nos registros formais bancários, que era falada apenas entre sefarditas de classe alta. Assim, o seu banco possuía uma camada extra de proteção, já que se os registros fossem roubados, eles não poderiam ser entendidos.[13][14]

Mudança para o Brasil

Após a criação do estado de Israel em 1948, os judeus passaram a ser perseguidos na região. Em 1949, a família se mudou para Milão, na Itália, e Jacob deixou seu banco nas mãos de Nassim Eliau Sassoon.[14] Em 1952 Jacob se mudou para São Paulo, no Brasil. Lá, em 1955, criou o Banco Safra SA, que administrava o dinheiro de outros judeus. Em 1956, Edmond Safra saiu do Banco Safra e criou o Trade Development Bank, em Genebra, na Suíça.[16] A comunidade judaica no Brasil temia que o governo pudesse se voltar contra eles, assim como aconteceu na Alemanha e no Oriente Médio. Por isso, com a criação do banco na Suíça, o dinheiro de seus clientes estaria a salvo.[14]

Saída de Edmond Safra

Em 1963, após a morte de Jacob, Edmond, Joseph e Moise passaram a ter divergências sobre como gerir o patrimônio da família. Jacob e Moise queriam expandir o Safra SA para o mercado privado e corporativo, enquanto Edmond queria criar outro banco. Em 1964, Edmond vendeu suas ações do Safra SA para seus irmãos, 50% para cada.[14]

Em 1966, Edmond criou o Republic National Bank of New York, que em 1980 já era o terceiro maior banco de Nova Iorque. O banco fez tanto sucesso que expandiu para o Canadá, Londres, Luxemburgo e Mônaco. Porém, nos anos 80, Edmond foi forçado a vender o Trade Development Bank para o American Express por US$ 650 milhões devido à Crise da dívida externa latino-americana. Anos depois, o American Express se recusou a revender o banco para Edmond, que criou um banco concorrente ao Trade Development Bank. O American Express criou uma campanha de difamação contra os Safra, mas acabou pedindo desculpas e pagando US$ 8 milhões para uma instituição de caridade da escolha de Edmond.[13][14] Em 1999, Edmond vendeu o Republic National Bank of New York para HSBC Holdings Plc por US$ 10 bilhões.[16]

Crescimento do Grupo Safra

Em 1998, o Grupo Safra, junto com a BellSouth e o Grupo Oesp, criaram a BCP, que deveria servir como uma empresa-espelho para concorrer com as grandes empresas de telecomunicação durante o processo de privatização da Telebrás. Ela foi uma das primeiras empresas de telecomunicação privadas do Brasil, mas faliu em 2003 e foi vendida para a Telmex.[17]

Em 2006, Moise vendeu sua parte do Banco Safra para Joseph. Em 2009, o Grupo Safra foi afetado pelo escândalo financeiro de Bernie Madoff. Em 2011, o grupo adquiriu o Banco Sarasin por US$ 2,1 bilhões. Assim, a família Safra passou a controlar US$ 196 bilhões. Em 2019, Alberto Safra se desligou da família para criar o ASA Investments.[16] Em 2014, o Grupo Cutrale e o Grupo Safra adquiriram a Chiquita Brands International Inc por US$ 682 milhões.[18]

Em 2020, quando Joseph morreu, ele já era o segundo homem mais rico do Brasil.[16][19] Vicky Safra e seus filhos herdaram o Banco Safra e outras posses, e em 2023 a família se tornou a mais rica do Brasil e a centésima mais rica do mundo.[12][20] Porém, ainda em 2023, Alberto Safra abriu uma ação na Superma Corte do Estado de Nova Iorque contra sua mãe e dois irmãos, acusando-os de ter diminuido sua participação na holding Safra National Bank, com o objetivo de expulsá-lo do império da família.[21] A família alega que Alberto "atentou contra o pai em vida" e agora "em memória". Ele teria recebido a herança de Joseph e, entre outras coisas, criado um banco concorrente do Safra, contratando vários executivos do grupo.[22] Em julho de 2024, a família anunciou a resolução do conflito, onde Alberto “se desinvestirá de seus interesses no Grupo J. Safra e perseguirá seus interesses empresariais através da ASA”. A família anunciou estar satisfeita com o resultado.[23]

Filantropia

A família Safra é conhecida por sua filantropia. Atualmente, ela é gerida por Vicky Safra, pela Fundação Filantrópica de Vicky e Joseph Safra.[24] A família é uma das principais doadoras para os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, construiram diversas sinagogas em São Paulo e contribuíram para a causa judia e doaram esculturas de Auguste Rodin para museus brasileiros.[16]

Descendentes

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Descendentes oriundos do primeiro casamento de Jacob Safra[25]:

Mais informação JACOB, Cônjuge ...
JACOBCônjugeFILHOSCônjugeNETOSCônjuge
Jacob Safra
(1891-1963)
Esther Teira
(1900-1943)
Elie Safra
(1922-1993)
Yvette Dabbah
(1927-2006)
Jacqui Safra
Diane Safra
Stela Safra
Patricia Safra
Jean Doumanian
Oded Henin
Joe Kattan
Paulette Safra
Cecilia Cinel Safra
Rahmo Hendricks
(?—2003)
Jacques Cinel Safra Hendricks
Camille Cinel Safra Hendricks
Pedro Henrique L. Cinel Safra Hendricks
Paul Cinel Safra Hendricks
Edmond Safra
(1932-1999)
Lily WatkinsArthur Safra Duscov
Arlette SafraDavid HazanSheila Hazan
Jacqueline Hazan

Breno Reinnert Hazan Safra

Guilherme Reinnert Hazan Safra


Rafaela Reinnert Hazan Safra
Stella Hazan

Carolina Schimidt Hazan

Michael Schimidt Hazan

Sony Jamouss
Jacques Diwan
Roger Elimelech
Moise Safra
(1935-2014)
Chella Cohen SafraJacob Safra
Ezra Safra
Esther Safra
Edmond Safra
Olga Safra
Shari Finkelstein
Alesandra Deweik
Claudio Szajman
Marielle Nahmad
Mauricio Levitin
Hugette SafraRalph MichaanCharles Michaan
Jacques Michaan
Isaac Michaan
Mauricio Michaan
Alberto Michaan
Edmondo Michaan





Gaby SafraElliot SafraJoseph Richard Safra
Jacques Safra
Sarah Maslaton
Mara Schubert
Joseph Safra
(1938-2020)
Vicky SarfatiJacob Safra
Esther Safra
Alberto Safra
David Safra
Michele Kamkhaji
Carlos Moshe Dayan
Maggy Candi
Tammy Kattan
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Referências

  1. MIZRAHI, Rachel, Imigrantes Judeus do Oriente Médio, 2003, p.195-196.
  2. «Morre Moise Safra, um dos fundadores do Banco Safra». Veja São Paulo. 15 de junho de 2014. Consultado em 15 de junho de 2014
  3. Eliana Simonetti (17 de junho de 1998). «O SUPER SAFRA». Veja. Consultado em 16 de junho de 2014
  4. Paulo Valadares (Dezembro de 2010). «História: Judeus em São Paulo». Morasha. Consultado em 16 de junho de 2014
  5. Eliana Simonetti (17 de junho de 1998). «O Super Safra». Revista Veja. Consultado em 16 de junho de 2014
  6. «Safra Family 1st marriage» (em inglês). Les Fleurs de L'Orient. Consultado em 16 de junho de 2014
  7. «Safra Family 2nd marriage» (em inglês). Les Fleurs de L'Orient. Consultado em 16 de junho de 2014
  8. Carrie Hojnicki (7 de junho de 2012). «The Safra Dynasty: The Mysterious Family Of The Richest Banker In The World». Business Insider (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2023
  9. Emily Czarnecka (24 de dezembro de 2021). «How The Safra Family Became The Rothschilds of Latin America!». Finance Friday (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2023
  10. Isabela Bolzani (1 de setembro de 2023). «Quem é Vicky Safra, a mais rica do Brasil, segundo lista da Forbes». G1. Consultado em 10 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2023
  11. «Brazil's richest man and world banker Joseph Safra dies in Sao Paulo, aged 82». MercoPress (em inglês). 11 de dezembro de 2020. Consultado em 10 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2023
  12. Guillermo Parra-Bernal e Sruthi Ramakrishnan (27 de outubro de 2014). «Cutrale-Safra wins takeover battle for fruit producer Chiquita». Reuters (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2023
  13. «- #339 Vicky Safra». Forbes (em inglês). Consultado em 16 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2023
  14. Aluísio Alves (6 de fevereiro de 2023). «Alberto Safra move processo em NY contra mãe e dois irmãos». UOL. Consultado em 4 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2023
  15. Giuliana Saringer (8 de fevereiro de 2023). «Família Safra: Quem é quem na disputa por herança bilionária». UOL. Consultado em 4 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2023
  16. «- #339 Vicky Safra». Forbes (em inglês). Consultado em 16 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2023
  17. «Safra Family 1st marriage children» (em inglês). Les Fleurs de L'Orient. Consultado em 16 de Junho de 2014

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