Província do Ceará
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A Província do Ceará foi uma província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e posteriormente do Império do Brasil, criada a partir da Capitania do Ceará. E que daria, mais tarde, origem ao atual Estado do Ceará, após a promulgação da Constituição de 1891, em 24 de fevereiro daquele ano.[4][5]
Província do Ceará Província do Ceará | |||||
Província do Reino Unido de Portugal, | |||||
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Continente | América do Sul | ||||
País | Império do Brasil | ||||
Capital | Fortaleza | ||||
Língua oficial | Português | ||||
Religião | Católica romana [a] | ||||
Governo | Monarquia constitucional parlamentarista | ||||
Presidente de Província | |||||
• 1822 - 1823 | José Pereira Filgueiras (primeiro) | ||||
• 1889 | Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim (último) | ||||
Legislatura | Assembleia Legislativa Provincial [b] | ||||
Período histórico | Século XIX | ||||
• 28 de fevereiro de 1821 | Mudança de Capitania para Província | ||||
• 24 de fevereiro de 1891 | Proclamação da República | ||||
Área | |||||
• 1872[1] | 148 825 km2 | ||||
População | |||||
• 1872[2] est. | 721 686 | ||||
Dens. pop. | 4,8 hab./km² | ||||
Moeda | Réis | ||||
a.↑ Art. 5º: A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.[3] b.↑ Criada a partir do Ato Adicional de 1834. |
Histórico
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Perspectiva
A Província do Ceará foi uma subdivisão administrativa do Império do Brasil, estabelecida em 1822, com a independência do país. Compreendia uma vasta área territorial no nordeste brasileiro, englobando o atual estado do Ceará e partes dos estados do Piauí e do Maranhão. Durante o período imperial, a província teve um papel significativo na economia e na política do Brasil, contribuindo para o desenvolvimento da região e para a consolidação do poder central.[6]
A economia da Província do Ceará era baseada principalmente na agricultura, com destaque para a produção de algodão, açúcar, café, tabaco e outras culturas comerciais. A pecuária também desempenhava um papel importante, especialmente a criação de gado bovino. Além disso, a região possuía recursos naturais abundantes, como minérios, madeira e recursos hídricos, que impulsionavam a atividade econômica e o desenvolvimento industrial.[7][8]
No aspecto político, a Província do Ceará teve uma participação ativa nos principais acontecimentos do Império do Brasil. Durante o período regencial, o Ceará foi palco de conflitos políticos e sociais, como a Revolta dos Balaios (1838-1841), que foi uma das maiores revoltas populares da história do país. Além disso, a província foi um importante centro de resistência à escravidão, com a presença de movimentos abolicionistas e libertários.[9][10]
Culturalmente, a Província do Ceará contribuiu significativamente para a diversidade cultural do Brasil. A região era habitada por diversas etnias indígenas, como os tapuias e os cariris, que deixaram sua marca na cultura local. Além disso, a presença de colonizadores europeus, africanos escravizados e imigrantes de diversas partes do mundo contribuiu para a formação de uma sociedade multicultural e plural.[11][12]
A Província do Ceará foi extinta em 1889, com a Proclamação da República e a consequente reorganização política do país. No entanto, seu legado perdura até os dias atuais, com a preservação de sua história, cultura e tradições. O Ceará é reconhecido como um estado rico em diversidade cultural, com uma economia diversificada e um povo hospitaleiro e acolhedor.[13][14]
Economia provinciana
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A economia da Província do Ceará, no período colonial, era principalmente agrária e dependia fortemente da produção de produtos tropicais, como açúcar, algodão e tabaco, além da pecuária. Essa economia estava integrada ao sistema colonial português, que buscava extrair recursos naturais das colônias para exportação e enriquecimento da metrópole.[15]
Durante os primeiros séculos de colonização, a produção açucareira foi a principal atividade econômica do Ceará. Grandes engenhos foram estabelecidos ao longo da costa para processar a cana-de-açúcar, que era exportada principalmente para a Europa. No entanto, devido a condições climáticas desfavoráveis e à concorrência com outras regiões produtoras, como o leste da região Nordeste e o próprio Sudeste do Brasil, a produção de açúcar no Ceará entrou em declínio a partir do século XVII.[16]
Com o declínio da produção açucareira, outras culturas começaram a ganhar destaque na economia cearense. O algodão tornou-se uma cultura importante, especialmente nas áreas mais secas do interior, devido à resistência da planta à seca e ao solo pobre. O algodão era cultivado em grandes fazendas e exportado para os mercados internacionais, principalmente para a Inglaterra.[17]
Além do algodão, o tabaco também se tornou uma cultura significativa na economia do Ceará colonial. A produção de tabaco era principalmente voltada para o mercado interno, mas também havia exportações para outras regiões do Brasil e para o exterior.
Outra atividade econômica importante na Província do Ceará era a pecuária. O gado era criado em grandes fazendas no interior do estado, onde pastagens extensas ofereciam condições favoráveis para a criação de animais. O gado era utilizado para consumo local, bem como para abastecer outros mercados, como o do Recife.[18]
Além das atividades agrícolas e pecuárias, a economia da Província do Ceará também incluía o comércio e a manufatura em menor escala. As cidades costeiras, como Fortaleza, serviam como centros comerciais e portos para o escoamento da produção agrícola e a importação de bens manufaturados da Europa.[19]
Abolicionismo
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A abolição da escravidão no Ceará, assim como em outras partes do Brasil, foi um processo gradual e complexo que culminou com a libertação dos escravos em 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea em nível nacional.[20]
No contexto histórico do Ceará, a abolição foi resultado de uma série de fatores sociais, econômicos e políticos que contribuíram para a gradual eliminação do sistema escravista na região. Entre esses fatores, destacam-se a resistência dos escravos, movimentos abolicionistas, mudanças econômicas e pressões internacionais.[21]
Movimentos abolicionistas ganharam força no Ceará a partir da segunda metade do século XIX, influenciados por ideias iluministas, pela revolta dos escravos em outras regiões do país e pela crescente pressão internacional contra a escravidão. Sociedades abolicionistas foram formadas, como a Sociedade Libertadora Cearense, que lutava pela libertação dos escravos e pela abolição da escravidão.[22]
Além disso, mudanças econômicas também contribuíram para o fim da escravidão no Ceará. O declínio da economia açucareira e a ascensão da economia do algodão e do comércio de gado tornaram o sistema escravista menos lucrativo e viável. O trabalho assalariado e livre passou a ser mais vantajoso para os proprietários de terras.[23]
Em 1884, o Ceará decretou a libertação de todos os escravos da província, tornando-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão, antecipando-se à Lei Áurea, que foi assinada em 1888. Essa decisão histórica foi resultado de anos de luta e mobilização por parte dos abolicionistas e da pressão popular pela libertação dos escravos.[24]
Após a abolição, os ex-escravos enfrentaram desafios significativos de integração na sociedade, incluindo a falta de moradia, educação e oportunidades de emprego. Muitos migraram para áreas urbanas em busca de trabalho e melhores condições de vida, contribuindo para a formação da população afrodescendente no Ceará.[25]
Ver também
Referências
- IBGE. «Tabela 1286 - População e Distribuição da população nos Censos Demográficos». SIDRA IBGE. Consultado em 16 de novembro de 2011
- IBGE. «Tabela 1286 - População e Distribuição da população nos Censos Demográficos». SIDRA IBGE. Consultado em 16 de novembro de 2011
- «Constituição Política do Império do Brasil». planalto.gov.br. 25 de março de 1824. Consultado em 20 de maio de 2023
- «Província do Ceará (1821-1891) Archives». Impressões Rebeldes. Consultado em 4 de março de 2024
- Caxilé, Carlos Rafael Vieira (2006). «Abolição na Província do Ceará: a sociedade cearense libertadora e seus ideais». Espaço Plural (14): 28–31. ISSN 1981-478X. Consultado em 4 de março de 2024
- «Diario do Conselho Geral da Provincia do Ceara (CE) - 1830 - DocReader Web». memoria.bn.br. Consultado em 4 de março de 2024
- Cunha, George (31 de março de 2021). «O ALGODÃO NA ECONOMIA DA PROVÍNCIA DO CEARÁ DURANTE O SÉCULO XIX: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A SUA IMPORTÂNCIA». RDE - Revista de Desenvolvimento Econômico (47). doi:10.21452/rde.v3i47.6850. Consultado em 4 de março de 2024
- Rocha, Anderson Coelho Da (18 de fevereiro de 2021). «NOS SERTÕES DOS OITOCENTOS: escravidão, liberdade e criminalidade nos sertões da província do Ceará (1830-1888)». Outros Tempos: Pesquisa em Foco - História (31): 212–232. ISSN 1808-8031. doi:10.18817/ot.v18i31.829. Consultado em 4 de março de 2024
- Silva, Leandro Maciel (8 de agosto de 2013). «Tristão de Alencar Araripe e a história da província do Ceará: contribuição à história nacional.». repositorio.ufpb.br. Consultado em 4 de março de 2024
- Freitas, Bruno Cordeiro Nojosa de (2007). «Exaltação dos eleitos: a Província do Ceará nas eleições das décadas de 1850 e 60 e seus amálgamas sociais». Consultado em 4 de março de 2024
- Silva, Bárbara Eliza Soares (2012). «Uma história da educação: A invenção da instrução pública na província do Ceará (1858-1889)». Consultado em 4 de março de 2024
- Fernandes, Ana Carla Sabino (20 de junho de 2012). «"Archive-se!" História, documentos e memória arquivística no Ceará (1835-1934)». Consultado em 4 de março de 2024
- Cavalcanti, José Pompeu de Albuquerque (1888). «Chorographia da provincia do Ceará : o Ceará em 1887». Consultado em 4 de março de 2024
- «Comandante das Armas da Província do Ceará - Arquivo Histórico». arquivohistorico.camara.leg.br. Consultado em 4 de março de 2024
- Cunha, George Henrique de Moura (12 de setembro de 2019). «Ensaios sobre a economia da província do Ceará durante do século XIX». REVISTA ECONOMIA POLÍTICA DO DESENVOLVIMENTO (21): 98–111. ISSN 1984-0756. doi:10.28998/repd.v9i21.8746. Consultado em 4 de março de 2024
- PARENTE CORTEZ, ANA SARA RIBEIRO (15 de dezembro de 2014). «"A CONVENCIONAL RECUSA DA POPULAÇÃO A CERTOS TRABALHOS AGRÍCOLAS, QUE JULGÃO DESTINCTIVO DA ESCRAVIDÃO": o trabalhador ideal para o Cariri Cearense da segunda metade do século XIX». Outros Tempos: Pesquisa em Foco - História (18). ISSN 1808-8031. doi:10.18817/ot.v11i18.317. Consultado em 4 de março de 2024
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- «Economia Ceará, um estudo sobre a economia da região | Guia do Turista». www.guiadoturista.net. Consultado em 4 de março de 2024
- Lemenhe, Maria Auxiliadora de Abreu Lima (1981). «A economia pastoril e as vilas coloniais no Ceará». ISSN 0041-8862. Consultado em 4 de março de 2024
- «Muito além do 13 de maio: há 135 anos, o Ceará tornava-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão». Fundação Cultural Palmares. Consultado em 4 de março de 2024
- «Você sabia que o Ceará foi o primeiro estado a abolir a escravidão no Brasil? Conheça a história do feriado estadual». G1. 25 de março de 2022. Consultado em 4 de março de 2024
- «Ceará celebra os 136 anos da abolição da escravidão no estado nesta quarta (25)». Brasil de Fato. 24 de março de 2020. Consultado em 4 de março de 2024
- Fortaleza, Câmara Municipal de. «Libertação dos escravos no Ceará completa 135 anos « Câmara Municipal de Fortaleza». Consultado em 4 de março de 2024
- Antonelli, Diego (9 de maio de 2021). «Entenda como a província do Ceará se tornou a primeira a abolir a escravidão no Brasil». Aventuras na História. Consultado em 4 de março de 2024
- dos Santos, Maria Emília Vasconcelos (2016). «Antes Do 13 De Maio: O 25 De Março No Ceará E O Movimento Abolicionista Em Pernambuco». Afro-Ásia (53): 149–183. Consultado em 4 de março de 2024
Ligações externas
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